"...tinha vontade de fazer um embrulho de mim, com papel de seda, lacinho de fita, e mandá-lo pra você. Aceita?"

Clarice Lispector

domingo, 25 de julho de 2010

Nada Sei

Não me perguntes, porque nada sei
Da vida,
Nem do amor,
Nem de Deus,
Nem da morte.

Vivo,
Amo,
Acredito sem crer,
E morro, antecipadamente,
Ressuscitando.

O resto são palavras,
Que decorei,
De tanto as ouvir.

E a palavra,
É o orgulho do silêncio envergonhado.

Num tempo de ponteiros, agendado,
Sem nada perguntar,
Vê, sem tempo, o que vês
Acontecer.

E na minha mudez,
Aprende a adivinhar,
O que de mim não possas entender.

(Miguel Torga

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